quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Sou uma mulher morena

Um dia eu vou te dizer meu amor, o tanto que eu te encontro em minhas lembranças, que o tanto de te pensar é um reverbe da nossa verossimilhança, estar contigo em pensamento é a esperança do meu lamento: eu penetro nos outros sem sentimento e justos são os que julgam por jurisprudência.

Decaímos à nosso modo a nossa decadência e Daniel na cova dos leões converte para sempre a nossa coragem em força, transforma o abuso que sofremos em miragem... É como se a dor se acabasse, é tipo como se tudo se explicasse e entendemos o momento, somos luz solar, somos folhas de papel que elucidam sentimentos.

Eu sabia que acabaria

Quando você me conhecer,
você vai me amar e vai esquecer
Do que você pensava sobre mim
Porque já sou um outro alguém
Porém
Há de existir o desplasticismo daquele eu que você via
E parecia
Que você não me alcançava
E parecia
que esse amor
que inventamos existia.

Esse tanto de amor parece que desapareceu
E não sei se ainda vai existir um outro encontro
Como esse, meu e seu
Eu não lembro de nós, exceto quando quero
Eu freqüento os bares das ruas, até que me desespero
E você sabia que dia após dia
Aquele encanto inicial se enfraquecia,
E tanto e tudo, não pude ver,
Porque eu só sentia que me bastava que você existia,
E oque eu não via era oque eu não sabia...
Dessa falta de ser o amor de quem me conhecia.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Da saliva uma palavra sua, você é jovem...

Você é jovem, você bebe água e não teme nada.

Chega o fim do dia, você quer descansar e não se importar se será roncando de boca aberta, a vida lhe apresenta o cansaço verdadeiro de adulto. Você cresceu.

Você, preferindo uma cama, pensa que sair é viver quando viver de sair é a falta de alguém para ver um filme com você.

Você prefere se balançar assoviando à meias luzes coloridas, que uma cama.

Eles precisam de silêncio...
- para dormir, para pensar, para decidir, para existir –

Você cresceu, fizeram isso de você, que já conhece de barulho...
- e no giro da inércia emocional você se molda quando está junto e agita junto e separado, no silêncio que lhe dão, e lhe permitem e lhe proíbem –

Você está tão fresh, beba esta água, mas, faça da saliva uma palavra sua.



Da série APLACADOS

Isabel C Mendes Teixeira
19.10.2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Leonardo

Enfrentar todos os meus demônios de uma vez.

Pé de jambo, anos noventa

Leonardo, que me arrasta

Joelhos meus que se esfolam

- Papelão na ladeira -

Tapas na cara, pé de jambo, tapas na cara!

Eu nunca mais vou te esquecer anos noventa

- Eles não gostam de você -

- ...




( Para Bibi, como prova de que tudo sempre melhora!)




Da série,  Não sabe brincar, cospe o chiclete.

Minha infância, e seus risos

Daí você avalia a minha importância como desimportante, desimporta as minhas lembranças como hilárias e tão efêmeras que deveriam saber instintivamente se defender - e até você tem que se defender - da sua inabilidade sensível, da sua inaptidão em ouvir os sons invisíveis, você não vê os tons se desfazendo no toque sem afeto da nossa pele.

Pequenas coisas tem muita importância para mim, admito extrema deficiência para com o passado que não me cabia compreender.