segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Pêlos e Padrões

Então é isso, penso que sempre estive na corda bamba, nunca conseguindo me equilibrar; apreciando minhas duas pernas de pêlos curtinhos (uma vergonha, porque o indicado mesmo seria adquirir o Novo! Veet); apreciando a fúria serena da escrita orgânica, estigma polivalente no ápice do clichê foulcaultiano farto de esteriotipagem... enquanto se usa muito de um tudo.

Querendo ser mais anônima e “antônima” do que se é permitido neste cotidiano que vejo e que me vê.

Imagine você mulher, num mercado escolhendo verduras - especialmente verduras, já que os produtos industrializados estão dispostos em corredores para que compremos em fila, enquanto marketeiros e capitalistas se certificam que assim veremos tudo o que devemos ver e mais, que haverão produtos em embalagens iguais pra todo mundo, contanto que estejam dentro do padrão exigido por órgãos tipo o Inmetro, tipo a própria sociedade cismada em “padrões”, que não deixa de ser um órgão público gigante.

Porém, na seção hortifruti, verduras quase podres, murchas e amassadas que são entregues em caixas de madeira ou plástico e empilhadas são aceitas, cabe a nós escolhermos quais comprar. Aliás, estou falando disso mesmo, escolha, padrão, rótulos, pessoas-produtos que se materializam no que comem, nos bens que adquirem... Então, a tarefa é justamente “escolher” e lá está você, mulher, escolhendo verduras (foi aqui que paramos). De cabeça baixa você, consumidora, diz para a maravilhosa mulher ao seu lado: “Amor, vamos levar beterrabas!”, e quando você levanta a cabeça, à sua frente está aquele seu cliente ou seu chefe, passado, achando você muito moderna e fingindo que não ouviu a ‘nome próprio’ “Amor” e muito menos os olhos de ternura muito mimosos da mulher maravilhosa ao seu lado que dizia: “Não, por favor, princesa, beterraba não!”

¬¬

Historinha pra ilustrar a grande questão da atual corda bamba cotidiana: ser reconhecido o tempo todo! Você, lésbica, sem máscaras, com a sua mulher escolhendo verduras; sendo de verdade o que se é, não necessariamente dentro da realidade que se vivencia cotidianamente por sobrevivência, ou para poupar assunto. Sim, sinto certa preguiça das pessoas. De como são e como pensam... Fato é que eu sobrevivo de beterrabas e vivo de amor lésbico. Raspo pêlos diários com gilete, e paciência para crescer! (Fui ao mercado e não me tornei uma consumidora Novo! Veet. Meu cotidiano não está na rota de fornecimento).

Portanto, casa... (suave e doce casa-abraço). O equilíbrio da corda bamba cotidiana está dentro de casa. Lá fora onde me vêem, me vêem mesmo. O costume ensina que esses tecem... tecem tanto! E ressalto que não se trata apenas de encontrar pessoas do meio empregatício, assalariado em locais públicos. Cito como modelos de caso de “comentário” em cidades pequenas. O sentido de “corda bamba” é maldade e preconceito das pessoas.

E já senti que enfrentar dói. Os olhos locais cotidianos ferem.
Então eu penso onde vivi e onde estou. Sinto um remorso estranho, um descontentamento...

2

Sim, distância sim, para deixar de lado pessoas e coisas e pensar sobre o infinito.
Tranquilidade na grafite que relata um conto um tanto qualquer. Se escolhe entre estar presente e estar distante. Ao passo em que todo o contexto é visto e age perfeitamente seu encargo de memória fotogRáfica da casual análise.
Se escolhe em ser um e ser todo. Se entrelaçam estas duas situações de maneira harmoniosa se quisermos. Por isso que dois é o número maravilhoso que é: divisível por um e por ele mesmo. É aconselhável querer muito, primeiro, que bem é o querer! Querer bem ser um e ser bem sendo todo. O bem que é todo é silencioso e sorri pétalas de luz.
E eu quero ser dois outra vez.

Rude plástica amorosa
Prestativa, pretenciosa
Há dois
Silencioso
Explosiva
silenciosa poesia.

CORDAS

E ENTÃO EU SINTO SAUDADE DE VOCÊ, SENTINDO SAUDADE DE MIM MESMA. DESTA MIM QUE MENTE - JÁ ESPERANDO QUE TEU EU A MIM MINTA TAMBÉM. A TEORIA DAS CORDAS AMARRANDO AS NOSSAS INTENÇÕES DESALINHADAS, PORÉM HONESTAS.

ACHAMOS O OUTRO FEIO. ORA, SOMOS HONESTOS. ORA, MENTIMOS POR SOBREVIVÊNCIA, PRA GENTE SE DAR BEM.

A GENTE MENTE PARA MANTER A BOA POSE, A POSE DE QUEM NÃO SE INTROMETE
NÃO SE MANIFESTA
ESTÁ AMARRADO NAS CORDAS.

PREFERINDO AMARRAR VOCÊ EM MIM PARA O RESTO DA VIDA
DEMANDANDO AÇÕES CONTRADITÓRIAS DEMAIS
REPELINDO E IMPLORANDO COM CISMAS BANAIS.

CAPRICHOS

E TUDO SAI DO PENSAMENTO
E TUDO VOLTA
E TUDO SAI

E TEM GENTE QUE RECONQUISTA
QUE FAZ AS PAZES
ASSUME ROMANCES

SAINDO E VOLTANDO À QUESTÃO
SOB UMA NOVA ÓTICA

A LUZ DE INVENTAR, INVENTAR, INVENTAR...

- SILÊNCIO PESCADOR! -

QUANDO O EXTERNO INVADE OS POROS,
TOQUES SUTIS DE QUEM BRINCA DE FAZER MÚSICA
RECOBREM O CALOR DA PELE
ÁGUA GELADA É LUXO.

A SEXTA BALA

A sexta bala, às segundas
às vinte e três
Sede, suor e sono
e os papéis todos espalhados
instauram o caos literal
(estas libélulas estão de prova)

- Você suou, você suou e sorriu
você sonhou, você se escourou e esperou
você olhou firme o papel
e fez um risco, arisco arriscou um 'que?!' -

A sexta bala perfura as idéias
pois já sobra tanta falta.
A sexta bala explora os quês
atrás de porquês e sorri consentida!

- sobra tanta falta -

A sexta bala vem às segundas:
às onze e pouco, um pouco antes das doze,
encara a bala no espelho
silencia, concentra, reserva calmaria do além

A sexta bala
matou.

- você passa e acena, ninguém vê
você cansa de acenar e acenam pra você
a cena passa e sobra só você - 

Então,
haveria de se inventar um tambor de sete balas
pois sentiu-se ressucitada na terça
às vinte e uma e cinquenta e um
momento em que se matava o guarda
enquanto guardava na garganta aquele nó
e na alma aquela falta

E o soluço na linha
a garganta que trabalhava os sentimentos verbais
e as cordas vocais, as gargalhadas
passaram a ser a única e absoluta certeza

existem seis balas de dor
e uma de amor.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

boomboompowdopoplow

na minha geladeira
alface
água com gás
kiwi
queijo prato
guaraná antarctica
catchup de sachet
uma skol, a outra estou tomando
sacolas
e só
na minha digital sujeira
memória digital sujeita
ao boom boom pow do pop low

A GROUPIE LÉSBICA


Gravura de Edson Macalini, meu amigo Maca


VULGO, TUDO TEM SEU LADO LADO ESCROTO

As pessoas trepam, portanto cama, coopere e não gema comigo, uma vez que meu gemido é discretinho e você escandalosa fode tudo enquanto quem toma a rabada sou eu. (Verdade seja dita). As pessoas querem camas silenciosas e macias e de molas e quentes e querem assanhar o outro na cama, e estapeiam a bunda (e deixam) e querem socar o dedo no cu com jeitinho (mas não podem) e mordem e chamam num meia nove e chupam invertidos. Na cama mordem-se os lábios, no ouvido suspira-se “Gostosa... Shhhh”, e a pegada quer virar de quatro e o corpo está úmido e sente um conforto safado meio prostituto de ocasião.

Pois quando ele encontrar aquela mulher doce, fã e linda, ele vai querer se casar com ela e não com você. E ela vai querer se casar com você e não com ele e você não vai querer  se casar, pois não há pressa para despedir-se da fase de solteiro, correto?

Solidão escolhida.  Opte por ser louco, opte por ser médico. Opte por estar sozinho para concentrar-se em si.
Se mudar resolve, se mande!
Uma hora tem um brasileiro vestido de argentino na sua cama, noutra hora ele está pelado e você, super cheio de tesão desequilibrado exagerado e honesto, constata que o pênis dele é curto e está murcho, se você o quer, lute por ele.

Eu quis estar sozinha, quem não quis?

Porque parece que as coisas são mais legais quando você vai-vive-e-volta, mas não carrega tudo consigo, nem tudo o que se guarda é recíproco. Todos estão ocupados demais com suas carreiras, correrias e fofocas. Eu até tenho jeito pra fofoca, mas sem maldade, por isso talvez sempre serei criança, adolescente e jovem adulta, e velhinha espezinhada.  Hoje sou uma mulher cheia de segredos e medos. A excitação (o tesão) existe, mas traz uma culpa filha da culpa! Desequilíbrio exagerado e honesto!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Os Ricos, Os Pobres

Tem coisas que a gente perde.
Tem muitas coisas que a gente perde mesmo.

Diria que talvez "perder" seja a razão do lapso da nossa sede de "encontrar". O tanto que se perde é inversamente proporcional ao tanto que já se nasce rico de oportunidades. As oportunidades custam numa cadeia de valores, uso e desuso.

É a sede de ganhar dos ricos usando os pobres.
É o medo dos pobres que, em desvantagem utópica, perdem o tempo todo. Embora, pobres e ricos perdem-se em si, nisso se igualam.

Os ricos tem dinheiro
os pobres tem sonhos
Os pobres
são os ricos de lutas
são Os ricos de sonhos perdidos

Deveria ser transformação contínua

MÁQUINA PENA ENERGIA

Como é difícil ser leve! Educado, eficiente, limpo, inteligente, saudável, decente, paciente, contente, e ter limite.

(Uma vez que busca-se o prazer que satisfaz, o indivíduo passa a estar aquém de qualquer ocasionalidade-agente-rompante deste ego.)

A maturidade é demônio paciente e anjo leve, enquanto o corpo ainda resiste ( ainda não deu tempo de avisar a pena ).

Uma pessoa é um ponto aqui e em qualquer lugar será o mesmo ponto, portanto o ponto de onde se parte e para onde decide-se ir passa a ser parte-pessoa-ponto ou o ponto de onde a pessoa parte, ou parte da pessoa em um ponto (da vida), ou ponto de partida, ponto de ferida, ponto da pessoa partir.

Até quando refugiar-se se fora fisgado!? A lua esteve diante dos teus olhos e soube lhe transmitir amor por enxergar energia. A luz da lua dos olhos quer brilhar em outro céu.

Cair para dentro da falta de limite
Roubar todo o juízo e aniquilá-lo
Ficar dias mudo
Passar mudos dias
E dias em que nada se acrescenta
Não se tem mais para onde crescer aqui.

Pacientemente visualizar refletindo que o homem já é máquina pois, o dinheiro compra o homem como máquina, e as máquinas se renovam, as máquinas se desatualizam.

Torcendo muito para sempre haver sol e existência.

Um sujeito estranhamente sujo

De dentro do seu quartinho limpo um sujeito estranhamente sujo começa a pensar em si mesmo e todas as coisas grandiosas que deseja realizar, viagens com histórias pra contar, viagens constantes regadas a erva e vinho. Erva, diga-se meramente medicinal, tendo o poder de trazer o riso, o controle do seu corpo de dentro para fora, controle da mente sobre os músculos, observa-se principalmente o modo e efeito da água quando em contato com seu interior e num espasmo mudo acompanhado de uma sequência de pontadas constata que está fazendo o seu melhor: típico do existir.

Sua pele escorrega quando se excita, teletransporta a mulher amada a um êxtase inigualável, de dentro do seu quartinho limpo, este sujeito estranhamento sujo constrói formas criativas para exprimir a esquisita sensação que o condena a pensar em si e todas as coisas grandiosas que suspira, constantemente.

Desajeitado, quebra sempre os valores que constrói, por simples falta de afinidade com Certos Modelos Sujos de Viver.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Seja Sensível Outra Vez

VOCÊ JÁ SE SENTIU ENGASGADO POR UMA SONDA?

Vida De Vagabundo

eu sou assim 
e sou feliz assim, por favor
entenda que eu gosto de ser feliz de diferentes maneiras
com uma cambada de menino tocando violão na praça e gente dançando
e amando MUITO, de uma maneira geral

Parabéns

Agora-hoje-aqui-eu estou numa espécie de caos realmente colorido, esperto, virtuoso, debochado, provocativo, doce,sonoro, iluminado, todo-eu. Cantei na praça, me apresentei ao desconhecido público, cantei alto e confiante. Toquei meu violão melhor que teu corpo.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

ANDO-PARAFRASE-ANDO






a história desta imagem: trata-se de uma das páginas do livro que há algum tempo venho editando (a passos milimétricos), divulgada pela primeira vez meu antigo blog, Imaginário Elástico, tempos depois de ler uma linda poesia de aniversário escrita no cine Pathé do lindo Artur Elástico

A PRIMEIRA PEDRA


ESTE ABISMO DE TI NO QUAL ME LANÇO
E FAÇO PARTE DESDE A PEDRA, A PRIMEIRA PEDRA
QUE EU MESMA EMPILHEI
E ESTÁ A CONTRAGOSTO DA PROPOSTA DE REVELAR
TEU MAL E O BEM QUE VOCÊ ME FAZ:
ABISMO É MORTE E POR MINHA SORTE
TENHO PARAQUEDAS.
SENTA VIAJANTE, O CAMINHO É LONGO
E DAQUI PRA FRENTE É TREVA
ABSORVA A LUZ
MISTERIOSA LUZ
INVISÍVEL E INFINITA LUZ
A LUZ: SIGA-A
OUÇA, QUEIRA OUVIR.
DEDIQUE, DOUA, DÊ, ENTREGUE, OFEREÇA,
MOSTRE, REVELE, APRESENTE A SUA CANÇÃO PREFERIDA
NUM E-MAIL SEM RESPOSTA.
INTERPRETE O TOLO: ESPERE RESPOSTA.
CORRE COMIGO PRO AMANHECER
VEM COMIGO PRO NOWHERE E SE APRESSE EM SE APRESENTAR
COM UM SORRISO
E BEBA TUDO DE UMA VEZ
E ARROTE!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

HADE digerir POESIA

produzir para dirigir
dirigir para produzir
beber e nao dirigir
produzir bebidas
produzir carros
motores
de velocidade
produzir com velocidade
dirigir rápido
digerir velocidade

censurar pensar produzido
produzir produzir produzir
chegar no FIM
não censurar o fim
tempo de começo
tempo de quê???
O FIM É POESIA

não censurar poesia
censurar sarcasmo sujeira safadeza pública, e privada
dst, sbt, psdb

digerir poesia
guardar segredos frágeis e individuais e pensar em si mesmo com grande fidelidade à vida-acaso
HADE - Bethânia Gil
POESIA

dirigir rápido
pelo mundo;
ter filhos.

Esperar o tempo
Viver cada momento
Fudido,
vícios,
virtudes,
surdos, ou não.

HADE digerir POESIA
digerir minúsculas e MAIÚSCULAS


sair pelo mundo
deixando alguém
e procurar o pai mais lindo do mundo para seus filhos
Satisfazer todos os desejos
da alma e da carne da sua vagina prostituta de ocasião e horrorizar os censores

E DELIR QUE SE FUMA MACONHA.




Seja Sensível

eu queria ter a capacidade de canalizar toda a minha inteligencia.

amamos coisas e temos vícios
temos indícios e histórico
temos conflito e grito
a leitura da alma nos elucida
canalizar pedir
resposta

amamos
manhãs
acordados
sombrios
sóbrios
enlouquecidos

ser sensível
eu sou um ser sensível?
de pensar nisso lembro
das amizades que não fiz
dos meus preconceitos
da minha mediocridade
como pecadora e vítima

essa manhã esteve aqui este tempo todo e eu não vi, e eu estava presente a maior parte do tempo! Nunca dediquei uma manhã a uma manhã como esta.

O Senhor Deus me guie, eu acredito em ti.

Um momento faz-se uma escolha, outro momento és descartado.

Dispensado desligado
Tranquilamente envolta por uma manhã de uma quinta dessas sem categoria.

Eu estou preparada para pagar pra ver de novo
Eu já paguei pra ver uma vez (várias)

Eu tenho a chance de deixar tudo em paz e recomeçar um momento que se prevê em sonhos. Uma vida de buscar o sonho que a vida guia. Uma loucura de fechar uma porta e se abrir uma janela com roldanas.

Um giro de peito aberto
cabe declaração de amor e tudo na despedida.

Eu não tive tempo de ser menos exigente...
E não tive tempo de não ter temor às coisas...

Enquanto isso,
não tenho compromissos com ninguém.

Um vulto pausa-espaço
uma pausa de mim-mercado
uma repulsa de mim
por um espasmo,
por uma palavra que escrevi e não quis apagar.

Apaziguar a tristeza de ser usado, quando se usou também mas, é necessário se usar um pouco dada essa burocracia de merda.

Somos gratos, muito obrigada mesmo.

Não ignore uma música que lhe chame a atenção.
Seja sensível.

Em uma destas manhãs,
abra a porta e a janela
e ouça esta manhã.

Da minha janela eu vejo os montes mudando de cor, estão vermelhos-fotografia
E o sol vermelho chega quentinho enquanto o nariz está frio.

Todas essas palavras são capítulos intermináveis do silêncio da minha alma.

A alma é eterna...

Traga sua régua, dê uma trégua

Eu não me dei a oportunidade de olhar na sua cara e sentir o que você sentia. Não tive a pachorra (gíria idosa) de carregar minha barriga gorda até a porta para lhe ver indo embora de qualquer maneira insuportável, tão insuportável quanto querer morrer sabendo que foi por preguiça sua e minha de tentar de novo, que foi por um feijão mal-dito antes de dar o primeiro passo para matar um leão. Eu já faço feijão há muito mais tempo... embora entendo que você lembre bem mais. Mas, te foder! Me desculpe por isso. Eu não me dei a luxo de me masturbar nas noites nas quais você não estava (quero dizer, me dei sim). Mas, eu não tive coragem de te olhar da cama, repensando com rancor qualquer coisa que não gostou muito de ouvir. Qual é essa verdade? Medimos verdades agora? Ótimo, porque não sou eu que perco meu tempo escrevendo, é coisa de idiota. (Tão idiota quanto se esconder embaixo do edredom e chorar, e eu também faço isso).

Cabide Comestível

E no meio daqueles da festa, ela estava simples: sem banho e sorriu triste seca-sarcástica, gritava como quem está feliz, e de certo estava, mas de repente no momento, aquele do prazer coletivo, com um cigarro aceso em uma mão, e com as orelhas acesas, sacou sua canetralhadora de impressões e deixou algo registrado para seus filhinhos... que vão beber, fumar e morrer como fumam e morrem as pessoas que bebem e fumam e assim morrem. Algumas que acham bárbaro o espetáculo da delicadeza, ressucitam de repente, no meio daqueles que continuam a curtir a festa.

Introdução ao Livro Livre

Olá a todos que visitam pela primeira vez este blog. Digamos que ele é um presente que eu mesma estou me dando, uma vez que hoje, por coincidência, é meu aniversário de 25 anos e digamos que é um presente também a todos os meus amigos leitores que me questionaram muito sobre a exclusão do brisaisa.blogspot (Imaginário Elástico) meu blog anterior que existia desde 2003 e durou até o início de 2009.

Para quem quis saber o motivo do fim: deletei o blog porque havia, literalmente, too much information sobre minha vida e não apenas sobre meu trabalho como escritora, estava tudo muito exposto ao longo dos anos. Quando me atinei a isso consultando todas as postagem que já haviam sido feitas, percebi que daria trabalho demais peneirar quais posts ficariam e quais deveriam ser deletados. Daí deletei tudo, mas tempos depois me arrependi. Escrever é um delicioso ofício, e compartilhar tal ofício é um dos meus vícios.

Mas, de fato, haviam muitos textos naquele blog do qual eu me orgulhava muito, alguns premiados em Bienais, outros dedicados a pessoas especiais, outros explosivos, outros que só ali existiram pois foram criados de forma espontânea entre uma postagem e outra, haviam muitas fotos, muitos comentários legais de amigos muito atenciosos... no entanto, houve um momento em que senti que aquele conteúdo não estava me representando mais, eu armazenava tudo ali há anos, mas chegara o momento de organizar a vida virtual, literalmente. Principalmente a vida literal.

Bem, e é aqui que chegamos Num Livro Livre. Um projeto de conteúdo perigoso, indecente e delicioso como o próprio slogan diz, cuja intenção é chamar sua atenção, e compartilhar com você meus insossos e explosivos sentimentos em forma de textos, versos, crônicas e letras de música, que podem lhe soar semelhantes. Só colocarei aqui escritos próprios, portanto, se quiseres compartilhar o conteúdo lido aqui, certifique-se de compartilhar também a fonte e o nome da autora.

Seja bem vindo e por favor, volte sempre que estiver sozinho, com paciência e disposição para devorar e refletir sobre estes escritos! Beijos carinhosos a todos os amigos.


Atenciosamente,

Isabel