quinta-feira, 31 de março de 2011

Sem título, só-mais-um sujeito histórico


um gato mia, futuro espia presente
calor mata de quente, ausente
é quem existiu e sumiu

calor, pelor amor, que calor é esse!?
apetece calmaria, desorientando
pausa de agonia - epífana alegria

silêncio se apropria do som que o gato mia,
gato se apropria da solidão que o ser vivia
gato sem saber de nada,
ser querendo saber o sentido de viver

ser querendo sentir o sentido de existir, e desaparecer...
sentir e fingir que o fingido era
o que pensou-se que havia
e não havia.

agonia de não saber se o que existia
era urro ou um miado de agonia
na luz do escuro, desconhecido novo dia,
enquanto eu sentia e parecia poesia.


ICMT - sem data •  Foto: Gata, chinelo com meia e desfoque particular.
Da série: "Você quer namorar comigo?"

quinta-feira, 24 de março de 2011

Poética do amor que deu o balão


(Nome original: Poética do amor que não vem)



Acordei da coisa toda! De reencontrá-la, tê-la e amá-la com esse carinho onde pouco importa o efêmero dos fatos, porque de tão honesto que se olhou um dia, se desejou continuar olhando e querendo perto para sempre - ilustrativamente falando.

Desejado e confuso amor de dois e próprio, que vem e que vai no vago vazio da vida, e quando vem sem se querer a gente simplesmente não o quer e não há quem nos convença, e quando vai porque a gente não o queria a gente comemora. E quando muito tempo passa, a gente quer amar de novo e se não se tem amor, a gente espera sozinho. E se aparece alguém, a gente quer se entregar por querer seguir ao lado de alguém a vida, um árduo caminho. Mentaliza que fulano é bom partido para iluminar o chão perdido.

Porque a coisa toda se perde quando a distância existe para separar os corpos e o tempo  se encarrega de fazer a gente esquecer do cheiro. Até então ninguém havia me dito "Meu carinho é desmedido. Pode morar nele." Digo, será que posso mesmo morar num carinho que eu quero demais? Não seria acalanto, seria inferno.Eu queria mesmo era habitar a sensibilidade dela, fazer parte do sorriso dela de manhã e do conforto no travesseiro antes de dormir. Mergulhar na cor daquele olhar todas as manhãs envolvida no intenso desejo de beijar a pele dela inteira, perdendo meu ar, arrepiando seus poros, no macio encontro das nossas energias nuas.

terça-feira, 22 de março de 2011

Eu me sinto mais mulher e muito melhor sozinha num quarto de hotel


Passaram-se oquê?! 3 meses?! E agora você me procura depois desse tempo... Eu tenho quase certeza que você se arrependeu de ter desistido do que a gente sentia. Dentro do nosso desacordo entre o permitido e o banido, eu gostava do seu cheiro Floratta in Blue (que é um diferencial pra merecer meu carinho mais aprumado), você tinha o cheiro, a pinta gostosa na boca e acho que parava nisso. No mais, tudo eu fantasiei, tamanha ausência de amor que me habitava, amor, do amor que eu queria e que não me habitou. Eu me iludi na dificuldade de te ter, me entreti no interesse de conquistar você, eu achei que estava perdidamente apaixonada, achei que você era muito mais, e você não era, meus olhos que brilhavam demais pro amor e eu me via refletida, e era o reflexo do que eu queria e não do que eu realmente tinha com você. Eu estive plantada na palma da sua mão, e você simplesmente não soube amar alguém sensível como eu.

E aí você liga e diz: "Disse que não ia mais ligar e não ligou mesmo hein!? Eu gosto disso." 

Gosta de quê? De ser completamente louca.



ICMT 23-03-11
Foto: DayRell BH / quarto 511


sexta-feira, 18 de março de 2011

Um tempo no tempo


Fui tentando encontrar, em tempo, um espaço onde o versinho caiba sem ser ridículo. Com tanta paz interior, fluem minúsculas facilmente. De um modo friamente sensato, doce é o novo gostinho do paladar da minha alma. Pausa-da-mente minha salpicada de açúcar dela, afim de fazer um melado de amor. Cautelosa, não estou com pressa de absolutamente nada, exceto acordar. Encontrei algumas respostas que me trarão outras perguntas, e outras velhas respostas se apagarão no tempo, este espaço preencherei com novas respostas, sem temer absolutamente nada, exceto o sim. (É, o sim é perigoso...)

Estarei firme na minha fé, com todas as preces em dia. Canal ligado no bem da vida, sem perder meu direito de ser contraditória. Não estou com a mínima pressa, mas preciso correr! Eu preciso estar e estou aberta. E com certeza eu não vou casar com quem me achar primeiro. Eu vou preferir estar com quem me descobrir (diariamente.)

ICMT 16/03/11

terça-feira, 15 de março de 2011

Recorte de Paz


só depende de mim
só depende de você

depende
da gente
querer quebrar tudo
é o plano de Deus

O programa dos meus
Ouvidos
O som longe da orelha
A música que explicou tudo
não esqueceu os males
sentiu todos os sentidos da morte sem se esconder

Música é recorte de vida
Texto é recorte de sorte
Morte é recorte de fim
Delícia é recorte de prazer
Malícia é recorte de viver
Viver você é recorte de mim


*foto: acervo e bonzai resistente particular

JÁ DEIXEI TODAS AS COISAS


(poema original da música TONSEMITONS)

Muito luto
Muito tributo
Muito esplendor

Sem ser sendo
Sem ser
Sendo vendo ser ser
Sendo sabendo
Sendo sem saber ser
Ser

Querer
Estar
Junto é o melhor

Muita repetição
Muita interação
Muita exacerbação
Muita masturbação
Do ego centro
Excêntrico

Se você for por
Esse ou outro lado
Encontrará
Luz
Amiga
Verdadeira

E se escolhe.

Onde quer estar
O que quer sentir
O quanto vai tentar e se deixar tentar
O que vai fazer
Onde vai ficar
Que rima pronta prontinha vai dizer
Cozer
Ter
Ver
Escrever
Ler
Crer
Fazer
Mover
?

Com qual rima vai ferir?
Com quantas rimas vai pensar?
Com quais rimas vai mudar?

Com minhas rimas combinar...
Você e seus nãos em meus sins
Meus sins a mim sugerindo seus nãos para amanhã
Te ver de manhã sem você me ver...

Não queres som, leia.



Vídeo da música Tonsemitons: http://www.youtube.com/watch?v=VAVrHvLSaas





*foto: acervo, sacola, livros, rosa vermelha, xícara e olhos verdes particular

TERAPÊUTICA


























- Você tem família?
- Tenho!
- Quantos membros?
- 2 pernas, 2 braços e 1 apartamento apertado
- Como?
- Ah, e meus bilhões de bactérias e picadas.

- O que tem feito?

- Até tentei ouvir Andrew BIRD. Mas, tive que baixar o volume, o violino me ensurdece emudecendo todos os raciocínios. A maior parte do tempo sinto que não sou doce o bastante. Não se trata de cativar as pessoas. Eu quero viver tudo, mas tropeço num dia de cada vez, e isso me faz pausar ações querendo então, domar o tempo que passa sem dó. Meu telefone toca enquanto eu mando mensagens subliminares nos veículos modernos. O moderno está a cada inverno mais moderno, enquanto o verão se faz desastre em chuvas e mortes. Só que eu anotei o número e não fiz ainda a doação. Fiquei entretida no meu umbigo esperando um coletivo se manifestar, para fazer parte. Não querendo fazer tanta parte assim das coisas, querendo ser considerada parte de coisas importantes. O marcante da vida que vivemos, acha que eles têm guardado aqui? - (apontando para o coração, do lado inverso). Saiba que a segunda dose me traumatizou.

Eu gostaria de escrever uma coisa muito original de hoje, mas hoje estou muito cansada.


*foto: acervo e modinha particular