quarta-feira, 27 de abril de 2011

Filhadaputamente Descrente


Cansei de ensinar meninas, quero ensinar meninos, a projetarem sua península ibérica-afro-brasileira-amarelada em nossa pélvis. Nosso contato ocular é turvo e o carnal aumenta dado o toque no alvo e já que tudo é contradição, que o caralho nos livre.




E depois de exacerbar nossa sexualidade?


Descobrir que o nosso sexo também é uma fantasia da vida real, e que nossa realidade requer o prazer do sentir goz(o)toso. E o conteúdo é para adultos, o delírio da descoberta uma festa, o mesmo a esmo um cansaço, o espasmo um dia ruim, o fim um novo começo, um terço de uma reza que foi pra você sem você querer, mas foi e funcionou.



Iluminar a preguiça e contentar a carência do afeto. Refletir a inveja e desdenhar o consumo. Subtrair criatividade alheia em mera pesquisa. Prescrever receita sem ter sentido dor igual. Banal é nóis, ser vivo quase-morreno. Vamo votá nos puto e contentá com o que escreveu Guimarães Rosa. Vamos agir o meu cu.




Ando filhadaputamente descrente e só tomara que eu acorde amanhã , e que eu vá dormir amanhã a noite e assim por diante e diante das verdades que eu finjo não ver, finjo não! (Eu me poupo de tecer em prosas... ). A questão continua: onde anda o trem que leva para o além?


Onde vamos parar se o fim é uma pedra cantada, o fim anunciado te desafia?
Uma brisa te arrepia? Não existirá mais brisa.
Não existirá computadores, só as lembranças gostosas que eles recuperaram e preservaram binários.
Binários de nós, tão ou isso ou aquilo.



Que temos que escolher ou isso ou aquilo o caralho!
E se eu quiser tudo?
E se meu tudo for bem pouco e for pra mim suficiente?
Queria ensinar homens a serem mais homens e mulheres a serem mais mulheres.




Daí o pai trocar presença por cocaína,
e a mãe ser a vaca do amor heroína.





 O mundo que vemos é tão repleto
de contradições
vivemos
Culpados
por acharmos que somos piores
do que realmente somos.

Somos heróis mortos invencíveis então?
E se eu for a própria contradição
concordando com meu Deus
e sendo culpado.


"Oi moça" não resolve meu problema. Minha receita está em um idioma que inventei e só contei para os esquisitos esquecidos que me amaram.

A começar pelas galinhas da infância


A começar, o fato de pensar em casamento, imaginar a noiva, de véu e grinalda, não imaginar um marido completamente, e automaticamente deixar essa imagem se perder num campo absurdo. Desconstruir a idéia do casamento e da separação e da amizade após a separação. Reavaliar o jeito de namorar alguém, e o jeito de se entregar. Ter tanta coisa particular pendente, e uma doçura preciosa pretensiosa de palavras que se repetem na boca cansada de repetir palavras. Ter novos planos no sentido da conquista da realização pessoal, evoluir e acompanhar o crescimento de um povo, novas pessoas nascendo e outras morrendo, sentir a falta de velhos seres. Ter planos que incluem os membros da família e do corpo vivo que deseja mais é devorar um pudim de leite feito pela avó. Sonhar com a morte da avó e refletir que talvez seja possível ser mais amável e mais atenciosa. Ter consciência da viúva encalhada que há em mim.

sábado, 16 de abril de 2011

Poética do Sábado de Manhã da Bailarina do Amor


Penso muito sobre o amor e não concluo nada.
O amor guia à quietude... e eu quero muito amor e muita quietude.
Leveza no pensamento,
Coração entusiasmado com a conquista dos detalhes que nos unem.

A poesia pena em mim e não concluo nada.
A poesia guia à inquietude (loucura)... e eu quero muito sentir a arte disso.
Concentrar no silêncio poético do coração e seu vazio,
Sem pressa esperar sempre o sentimento sanar.

A inquietude (loucura) pesa em mim e não concluo nada.
A inquietude (loucura) frente à quietude do amor e eu querendo poesia e amor.
Silencio vazio em poesia, suspiro sincero
O vazio leve de mim, cheio de possibilidades de amar.

Amar pesa em mim e não concluo nada.
E eu querendo você e querendo tocar em você
Conquistar os territórios do teu corpo
Sentir se teu corpo pesa em mim, mas e depois de conquistado?

, mas eu preciso mesmo da loucura?
, amor é mesmo isso tudo na vida? Qual tipo? Do que estamos falando?
Vontade de chupar num beijo gostoso o português da sua língua
Massagear todos os seus segredos enquanto trabalho silenciosamente minha fobia de envolvimento.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Louca Varrida, Sem Cortes


Quase tudo dizia que eu morreria cedo.

Com medo da cara da morte,
medo do destino breve
do blefe que atreve
Louca varrida
cigarro na geladeira!?

Cerveja se evita
a primeira.
De todas que eu quis
eu quis você mais.

O mundo,
era esse mundo que você queria tanto?
Um fundo sem fundo
Um caos sem estrela

Da dor derradeira ao despertar
Possibilidades reais.
Cinema?! Ora, cinema!
Cinema no primeiro encontro.

Confusa não!
Semifusa.
Dançante, delirante,
Aquela que vai conferir o assobio.

Aquela que acha que é.
Aquela que acha demais.
Aquela do achismo...
Tolice!

Silêncio para o som que o corpo faz!
Barulho interno da alma:
Sinfonia com hora marcada.

Alma interada no corpo
Corpo entregue à dança
Esforço receoso a entrega
Da alma do sujeito que habita o corpo.

Morto,
O corpo cansou.
Fora a fagulha de mim que escapou.
Farta satisfeita.

Vazio cheio de palavras, palavrões, palavreado, palavrinha, palavrete, verborragias e verbetes.

Congelamento de sentimento partido partícula-por-partícula, parte-a-parte da parte particular que partiu do ponto de partida do sentimento que era quente e congelou.

Conseguimos congelar o fogo de nós.
Consequimos naturalmente esquentar o vento.
Conseguimos manipular as idéias que sugerimos e que temos de nós.

Temor do mundo acabar...
(O mundo já está acabado)
(Vamos reconstruir o mundo)
(Vamos ter outras idéias do mundo e de nós mesmos)

Temor do bem do mundo acabar.
Temor de acabar a cerveja do mundo.
Temor do escuro profundo.
Temor do poder da Igreja.
Temor do poder do poder.

Não dá para minimizar,
zipar, comprimir, compressurizar,
toda uma força simbolicamente pensante
numa noite, num poema assim.




Isabel . escrito em 13/04/11
Da série: "Será que você combina (mesmo) comigo?"

De dentro

Fagulhas
Deusas
De mim
Deusas
Sem dó
De mim
Fagulha

Imagem: Foto tirada no MON-Curitiba / Quadro: "Poluída até certo ponto" de Suzana Lobo (1971 - acrílica sobre tela). 

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Espelho quebrado da alma



E eu achando que estava vazia
E estou cheia de lembranças
E estou cheia de querer sentir
E estou cheia!
E eu achando que estava e não estou
Eu saí. (...)

E pude dizer não e disse sim de novo...
E me arrependo amanhã pela manhã
E de noite estarei nova
E de nova em nova vou dizendo sim de novo...
E eu posso dizer não, mas não, sou do bloco do sim.

Eu ainda aprendo a lidar comigo
Esquecendo o meu umbigo
Esquecendo o teu corpo inteiro
E aquele beijo teso teu certeiro que me pira.

Eu fui egoísta e estou sendo
Medindo sentir, seguro à entrega
Ultra-passada com o egoísmo
Do sentimento humano

Andando para frente
Para trás andando-correndo
Sendo sem saber ser
Ser-tão sem você
E me acostumar



A solução sou eu depois
Brilhante e atraente
E ninguém fica com peninha de mim
É o ideal.

E vocês ainda com a dúvida
Se eu sou a vítima ou a culpada
Nem
Eu sei quem eu sou.