terça-feira, 29 de maio de 2012

Delírios Oníricos



Encontrei comigo mesma num sonho, num bloco de gente curtindo na rua com abadás que datavam 2008 ou 1998, não pude ler direito; de bata branca completamente bêbada, escandalosamente feliz que até tive pena de mim. Segui meu reconhecível eu na multidão, entre um cambaleado e outro que eu via, me chamei amigavelmente: “Vem aqui, Isabel.” Mas, parecia não me ouvir.

Numa esquina dessas do tipo Ipiranga com Avenida São João, com muita gente passando entre nós, houve um instante em que ELA enfim me olhou e disse: “Pô, você é igualzinha a mim, que da hora!” e se escorou em meus ombros me carregando com ela, cantando, sorria e esbarrava nas pessoas, quando tentava desviar. Tropeçava; “Sim, você sou eu mais nova” - eu disse antes dela me escorar.

Seguimos andando e nos perdemos num plano branco e puro e ela desapareceu.

E daí já era apenas eu, velha de novo, com a mesma bata branca que vestia, num hospício musical. Eu corria de patins, daqueles de freio na frente, pelos largos e iluminados corredores do hospício, trocava as pernas, rodopiava, andava de costas com as pernas fazendo curvas. Usava uma saia colegial de pregas que voavam mostrando parte das minhas coxas enquanto eu patinava para frente e para trás, como se estivesse voando num balanço de parquinho.

E esse balé patinador foi interrompido quando o Maestro Reitor do hospício musical me chamou em sua sala, uma espécie de Tia Ká me conduzia até a sala dele. Era uma altura como do céu ao chão e descemos deslizando  por uma corda pendurada num andaime; sabor de aventura sem medo algum.

Entre vários que ali esperavam o Maestro, o mocinho da recepção vestindo um jaleco branco de hospital chamou meu nome: -“Isabel. O Maestro agora vai atender a Isabel.” Segui o moço num corredor cheio de portas, umas abertas com pessoas que pareciam advogados em atendimento, até a sala onde me aguardavam ;  Tia Ká já estava lá. Sentei-me numa cadeira de madeira, dessas coloniais e pairei enquanto o reitor me dizia que foi bom meu plano, mas que eu não era louca de verdade para conseguir uma vaga na orquestra e que ali acabara o meu teatro.

Claramente impressionado, começou a mencionar diversos nomes de loucos artistas que, segundo seu tom, pareciam ser importantes do meio da arte e da música, nomes que eu não reconheço sinceramente ; pessoas que segundo ele eu havia conquistado e eram loucos comigo. Ele queria entender como aqueles semi-deuses da arte eram todos meus amigos e a cada nome mencionado eu dava um sorriso e confirmava com a cabeça que sim, eram meus amigos. E em meu pensamento me vinha cada uma das nossas histórias incríveis.

Depois de muito riso jocoso, num susto acordei hoje de manhã.


I.M 29/05/12
Transcrição literal do meu sonho. Zero invenção.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Amigas se comem

às amigas que comem, a fila anda
e a fama, que porra de fama
a fila nem anda,
- pausa na fita - 
que porra de laço difícil! 

um nó pelos passos
assim é que o dizem
que passa e lhe traçam
- um rastro de cinza, rasura da fama
encostam-se os braços.

colorido é, se fazer feliz.
eu sou do abraço!
que porra de laço difícil!
que porra de fama!
que porra de porra meu!

coma as amigas certas, fica um conselho.



segunda-feira, 7 de maio de 2012

Itaú


Não faço questão de ser lírica.  [ Lírica? ] Eu sou literal.

E fosca com verniz localizado; cores musgo na Joaquim Távora orando e chorando; barriga vazia honra a saudade do tempo...Da cor de unicórnio quando foge... Porque a capital do umbigo é cinza; o lápis que escreve, assim como todas as grafias bonitas, é cinza.



A ortografia do corpo, a paz de ver novela. [ Novelas coloridas. ]
E ora chorar, há horas;
E nisso, outros mentem pra mim toda uma ilusão estética de valores. 
Um gráfica mental inteira a imprimir as imagens do que vejo.

Digo, quem são os especialistas do Itaú, de quem eles tanto falam?



*na foto Frida e Fred

Gosto do amor, ele me seduz.


Mas muito ainda do que não tem tanto valor assim em comparação com as coisas que realmente são lindas e que nos abraçam de verdade na vida, me machuca muito. E expõe rasgadamente minha bestialidade frágil, meu sentimentozinho suburbano. Me sinto forte e esse muito ainda do que não tem tanto valor assim em comparação com as coisas que realmente são lindas e que nos abraçam de verdade na vida, me treme de dentro pra fora, e fico sem chão, e fico sem graça.

[Só sou aparentemente grande pela sensibilidade que eu sinto.] 

Geme ainda  aqui esse muitoque não tem tanto valor assim em comparação com as coisas que realmente são lindas e que nos abraçam de verdade na vida. Em contraponto, vejo escancarado que ainda (!) me deixo bestializar com gente que me machuca muito.

Afasto de mim o que não me pertence, é meu compromisso comigo.