segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A SEXTA BALA

A sexta bala, às segundas
às vinte e três
Sede, suor e sono
e os papéis todos espalhados
instauram o caos literal
(estas libélulas estão de prova)

- Você suou, você suou e sorriu
você sonhou, você se escourou e esperou
você olhou firme o papel
e fez um risco, arisco arriscou um 'que?!' -

A sexta bala perfura as idéias
pois já sobra tanta falta.
A sexta bala explora os quês
atrás de porquês e sorri consentida!

- sobra tanta falta -

A sexta bala vem às segundas:
às onze e pouco, um pouco antes das doze,
encara a bala no espelho
silencia, concentra, reserva calmaria do além

A sexta bala
matou.

- você passa e acena, ninguém vê
você cansa de acenar e acenam pra você
a cena passa e sobra só você - 

Então,
haveria de se inventar um tambor de sete balas
pois sentiu-se ressucitada na terça
às vinte e uma e cinquenta e um
momento em que se matava o guarda
enquanto guardava na garganta aquele nó
e na alma aquela falta

E o soluço na linha
a garganta que trabalhava os sentimentos verbais
e as cordas vocais, as gargalhadas
passaram a ser a única e absoluta certeza

existem seis balas de dor
e uma de amor.

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