domingo, 12 de junho de 2011

caso perdido


PESSOAS COMO EU escrevem não porque acham que tudo que pensamos é demasiado interessante pra compartilhar com todo mundo, não é isso, e está longe disso, mentira, talvez tenha um pouco disso mas não acredito que é isso o que mais nos motiva. A gente só quer interagir pela atenção, ache sórdido, imbecil, inteligente, ou não... Não que a gente PRECISE de interagir pela atenção, pois sempre haverá um bar aberto, e quem não bebe e não interage não é, de fato, mais esperto. Pode ser até mais saudável mas,  não mais esperto. Esperteza é querer coisas de perto e pessoas no seu tempo certo. Faz parte do viver moderno, da socialização, da realização dos anseios da pirâmide da satisfação... e parece tão banal né? (sentimentalismo cafonalha). Querer viver somente intensamente a vida do momento porque pensar em futuro atrapalha... Esqueça o passado, quem vive de passado é museu, não é???! (Quem vive de passado é porque viveu vivo demais, e estava acostumado com o que tinha e não tem mais.)

Tipo assim, enquanto eu to aqui compartilhando a banalidade da minha vida, meus amigos desenham nas minhas paredes e eu deixo, eu forneço as canetinhas coloridas, ouvimos Fábio Góes, recitamos poesia e o caos trivial da vida parece fazer um pouco de sentido porque sentimos (!), porque sentir a vida e absorver (como um papel toalha) é somente o que nós temos. Nós temos exclamações também! E lembrei que um cara como o Rafael Possi não tem mais nada porque se envolveu com o tráfico e morreu aos dezesseis... sorte minha ter chegado aos vinte e seis, pois compartilhamos da mesma infância refém da periferia paulistana, triste fim morrer assim.

Está vendo? As lembranças do que vivemos e acabou comprova que tudo isso pode de novo acabar num instante, basta a vontade do céu, interceptado por você sabe quem (não quer conhecê-lo agora, ok, mas Ele está nos vendo). E vendo que tudo que temos pode se desmantelar por nossa culpa, olha que triste! Não adianta se esquivar, a culpa existe.

O nosso medo da morte nada mais é do que nosso medo de parar de viver, parar a vida pra morrer de boca fechada sem mais  dar um sorriso desses verdadeiros da alma. A alma morre também porque alma sem corpo não sorri e corpo vivo sem sorriso nada sente. Sentir é felicidade. Sentir tristeza é parte da felicidade que se parte por uma coisa chamada infortúnio. Não queremos infelicidade. Queremos tudo de bom, o tudo que tem tudo pra dar certo, queremos acertar em nossas escolhas sempre, e não? Queremos.

Não planejamos o vazio, é ele que se acomoda na nossa sonsice ignorante.






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